O Nucleo Operacional para a Sociedade da Informação – NOSi – esteve ontem num frente-a-frente com os Privados do sector das TIC em Cabo Verde. O evento ocorreu na Câmara de Comercio, na Praia, e teve como representante do NOSi, o Coordenador Geral, Eng. Jorge Lopes.
O encontro começou com a intervenção do representante da Câmara do Comércio, Dr. Paulo Lima, que expôs as razões para a promoção do evento, tentando fazer com que os Privados e o NOSi discutissem abertamente os problemas que afectam o sector das TIC no País.
Após essa breve introdução, o Eng. Jorge Lopes tomou a palavra, começando por “apresentar” o NOSi e os projectos que o mesmo vem desenvolvendo e implementando.
A abertura do debate, momento aguardado por todos, começou com aquilo que todos já esperavam. Criticas ao NOSi por ser um estrangulador do mercado. Por assumir toda a prestação de serviços, formação, instalação, operação e manutenção do parque informático do Estado (certamente acima de 50% do parque nacional), não tem deixado espaço para que os Privados possam aparecer ou possam crescer, limitando os Privados a manter meia duzia de clientes tambem privados, o que não garante um retorno que seja suficiente para que as empresas possam crescer, e a serem meros vendedores de equipamentos informáticos.
Todas as pessoas que interviram no debate manifestaram o mesmo descontentamento com o papel do NOSi no mercado das TIC. Ficou patente que é necessário clarificar o papel do NOSi, e a assunção por parte do mesmo como um Orgão do Estado que deve ter por missão definição de politicas estratégicas para o Sector.
Foi também abordado a questão do Opensource. Tendo ficado claro que há necessidade de se falar sobre o assunto com um espírito mais aberto, num fórum mais Académico e com pessoas que realmente estão por dentro do assunto. Ficou claro que muita gente fala do Opensource como se tratasse dum produto de segunda categoria, quando na realidade é algo que surge nas Academias, como produto de muita investigação, muito trabalho e muita colaboração entre vários especialistas espalhados pelo mundo. O desconhecimento do que se passa em termos de Academia, em termos de Investigação e Inovação, mostrou claramente que os decisores não estão a ter todos os dados disponíveis para analisarem com rigor as situações e soluções que deviam ser consideradas.
Fez-se referência ao Porto Digital, e pela primeira vez ouvi falar em Cabo Verde Digital, no entanto, faltou, ou tem faltado sempre, a presença da Academia nos eventos organizados sobre o sector. O Porto Digital, assim como outras iniciativas do género, surgiram da sinergia criada entre a Academia e o Estado como forma de promover e impulsionar o desenvolvimento do sector privado, criando incubadoras de empresas, oferecendo incentivos, oferecendo condições favoráveis para a instalação e funcionamento das empresas.
A terminar, ficou a promessa da assunção do real papel do NOSi e da partilha de conhecimentos e know how que as Consultorias Internacionais e Formações “exclusivas” ao NOSi proporcionam.
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